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Encerramos na semana passada a segunda fase do ciclo da Reforma Política do Século 21 na Plataforma Brasil. Com cerca de 2 mil participantes cadastrados, recebemos mais de 300 colaborações sobre temas relacionados à transparência, participação popular, financiamento de campanha e como a internet pode colaborar com isso tudo.

Já estamos trabalhando na fase três do ciclo, que conta com a consultoria técnica do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP), da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), para organizar as impressões dos participantes em relatórios. A proposta da Plataforma Brasil é disponibilizar estes documentos para gestores públicos e representantes do Legislativo ou de áreas relacionadas ao tema para que o conteúdo seja conhecido e possa contribuir na construção de políticas públicas de interesse do cidadão.

No momento, você encontra no site da Plataforma Brasil tudo o que aconteceu nas duas fases anteriores, podendo conhecer como foram escolhidos os temas do debate e como as discussões se desenrolaram. Em breve, os relatórios detalhados estarão disponíveis para consulta e download e as principais conclusões dos documentos também serão divulgadas aqui pelo blog.

Atenciosamente,
Equipe Plataforma Brasil

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O cientista político norte-americano Robert Dahl define democracia como “um sistema confiável de proteção e avanço do bem-estar e dos interesses de todos que estão sujeitos às decisões coletivas” (”Democracy and its Critics”; p.322, minha tradução livre). Sobral Pinto, na campanha das Diretas Já!, proclamou: “Todo poder emana do povo e em seu nome será exercido”.

A pergunta que me constrange e repasso aos leitores é: num país com desigualdade abissal de acesso à rede, como o Brasil, a democracia digital é, ou será, de fato, popular e democrática? As soluções que dela manarem estarão ou não impregnadas de vieses das classes de renda média e de grupos organizados e engajados? Mais ainda, a desigualdade de acesso a ensino de qualidade prepara solo nivelado para o debate político inclusivo e para a ausculta de toda população? Todas as vozes terão o mesmo volume?

Não tenho dúvida que a resposta é negativa. A história demonstra que o poder, em verdade, emana dos organizados que se atrevem a falar, muitas vezes de forma ilegítima, em nome de todos.

Não há inocentes, todo o espectro ideológico se vale de certezas e verdades absolutas no seu discurso. Ressalto que não falo só de grandes grupos econômicos e corporações (em geral representados pelos sindicatos patronais), sequer das empresas transnacionais, mas também, entre outros, dos sindicatos dos trabalhadores, da sociedade civil organizada, da burocracia estatal, da academia e dos veículos de comunicação – não só os com fins e lucro, haja vista, por exemplo, a influência de plataformas alternativas como a mídia Ninja, particularmente em meados de 2013.

A população não organizada, chamada de forma depreciativa, por vezes, de massa ignara, não tem voz autônoma. Depende, no campo político, dos agentes que se elegem com seu voto.

Qual o papel das iniciativas digitais no processo de inclusão desse estrato majoritário?

O que mais me surpreende é que essa discussão não está presente de forma explícita nem na Plataforma Brasil, a não ser, talvez, lateralmente, na Pergunta 3.

Isso, por si só, é sintoma da naturalização da desigualdade no estado mental brasileiro, mesmo dos grupos engajados e politizados, e da incapacidade da sociedade de olhar para o outro. A alteridade está longe do radar do cidadão. Na era da distinção, a preocupação central deveria ser o outro, o distinto. O ego, sujeito do século passado, já tão exacerbado, há de impor para si limites e trasladar seu olhar para assentir, sem abrir mão da sua identidade, o ponto de vista do outro. Sem isso, a participação plural não se viabiliza.

Os instrumentos da democracia têm de dar voz a todos, não restringir sua interlocução aos organizados. Precisam embasar seu funcionamento no respeito às identidades e culturas de todo o povo. É crucial, portanto, construí-los plurais, ao alcance dos estratos menos escolarizados e mais distantes da infraestrutura digital, hoje ao alcance, de forma qualificada, a uma parcela pequena dos brasileiros.

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Por Caio Tendolini Silva

Imagine o sistema político brasileiro como o sistema operacional de um computador (pode ser Windows ou Mac, por exemplo). E que nós, os cidadãos, somos os usuários desse sistema. Nesse contexto, caberia a nós utilizar os aplicativos disponíveis, construir aplicativos que sejam compatíveis com o sistema, reportar bugs que precisam ser consertados e, de vez em quando, receber um pedido de atualização de sistema para ser instalado.
E esse sistema seria proprietário, ou seja, teria dono(s). Aos proprietários caberiam definir quais aplicativos estariam disponíveis, quais configurações poderiam ser alteradas, quais bugs resolvidos e quais atualizações feitas.

Em 1988, recebemos uma atualização de sistema que nos proporcionou um salto em opções e garantias – a nossa Constituição. De lá para cá, tivemos atualizações pontuais e a criação de diversos aplicativos e funcionalidades que dividiram opiniões (tem gente que gostou do pacote de benefícios sociais, outros que gostaram do pacote de privatizações, por exemplo). Mas, acima de tudo, todos nós continuamos sendo usuários do sistema.

Durante todos esses anos, ciclicamente, os donos do sistema debateram a possibilidade de um pacote de atualizações chamado “Reforma Política”, mas seguidamente decidiram que esse pacote não seria instalado.

Enquanto isso, nós, os usuários, continuamos assistindo sem ter muito como participar, pois os proprietários não apenas decidem se haverá uma reforma política, como também protagonizam o debate sobre qual será o conteúdo dela.
É também por tudo isso que a Reforma Política do Século 21 deveria promover uma atualização do sistema feita pelos seus usuários e não apenas pelos proprietários do sistema. Para que isso aconteça, nós deveríamos i)poder participar da construção do pacote da reforma política e ii)poder participar na tomada de decisão sobre sua aprovação.

A Plataforma Brasil é uma ferramenta que apresenta um avanço no ponto (i), permitindo que nós, usuários, protagonizemos o debate sobre qual é a reforma política que queremos.

Só que para avançarmos nessa lógica, devemos caminhar para permitir que os usuários do sistema façam parte da decisão de atualizá-lo  — ponto (ii)  —  e talvez até sermos capazes de mudar seu código-fonte. Assim, finalmente, sairíamos de um sistema político proprietário para um sistema político de código aberto, onde os usuários são também desenvolvedores e colaboradores desse código.

Mas voltemos à realidade, a realidade do sistema político fechado em que vivemos. Nela, por enquanto, o que nos resta? Nos resta ser hackers da política, decifrando códigos, encontrando as brechas, alterando o sistema sem sermos autorizados e trabalhando com as ferramentas que já estão aí, como a Plataforma Brasil.

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O final da primeira fase do primeiro ciclo da Plataforma Brasil, “Reforma Política do Século 21”, se aproxima. É interessante notar que, neste termo, pouco se ativou o ombudsman.

Será sinal de que tudo corre às mil maravilhas ou denota a falta de hábito de participar criticamente de processos? Só se pode especular, claro, mas algo me diz que a segunda hipótese é crível.

Tudo bem, não há porque ter controvérsias na priorização de temas. É a voz livre dos navegantes da rede, onde tudo pode e que a tudo permeia. O que realmente me intriga é não se questionar métodos, escolhas, há pouca curiosidade em entender esses processos.

Bom, vou manter-me otimista e crer que o site está super bem estruturado e não suscita dúvidas. Parabéns equipe!

As poucas intervenções que se apresentaram, todas, aliás, muito bem recebidas pela turma do site, alertam para dois temas de extrema relevância: transparência e equidade. Questões naturais para as pessoas que se mobilizam por assuntos da democracia.

Foram sugeridos métodos estatísticos e requerido que se publique o algoritmo de ordenamento dos temas prioritários. Boas participações, sugestões prontamente aceitas. Já a interpelação mais recente pede a equalização no tratamento de gênero nos textos do site. É discussão que solicita romper com fundamentos da língua portuguesa, não alinhados ao mundo contemporâneo, estabelecidos nos tempos patriarcais de antanho. A ruptura é necessária, mas requer mudança de cultura, o que impõe tempo e tem resultado incerto. O esforço tem de ser e será feito dada sua pertinência e adequação.

O que importa é que os navegantes democráticos estão na franja dos movimentos afinados ao que há de mais atento, generoso e moderno na sociedade brasileira. Um alento para este velho, desalentado, quase cínico, que vos escreve.

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A Plataforma Brasil vive atualmente o seu primeiro ciclo, que debate a Reforma Política do Século 21. Este ciclo é dividido em três fases, sendo a primeira delas de priorização de ideias. Isso significa escolher, dentre vários temas, quais queremos discutir, em detalhes, na fase seguinte.

Existem diferentes metodologias de priorizar temas e foi escolhido para a Plataforma Brasil o uso da ferramenta All Our Ideas.

Mas o que é essa ferramenta e por que ela foi escolhida?

– O All Our Ideas foi desenvolvido a partir de uma pesquisa acadêmica. Ele foi criado na Universidade de Princeton, por Matthew Salganik, do Departamento de Sociologia;

– O All Our Ideas é multi-método, ou seja, ele combina metodologias quantitativas e qualitativas para realizar coleta e análise de dados sociais;

– O All Our Ideas é um programa em software livre, política de propriedade intelectual que o ITS apoia;

– O All Our Ideas foi lançado em 2010 e já foi testado no Brasil em dois projetos que se aproximam do projeto da Plataforma Brasil: o Gabinete Digital, iniciativa do Governo do Estado do Rio Grande do Sul, e o portal Participa.br durante o NETmundial.

Na prática, o All Our Ideas atua online para coletar ações dos participantes em larga escala e priorizar as mais importantes. Fazer isso em grupos de 20 pessoas é mais simples, mas como fazer com muitos brasileiros? Para isso é preciso uma metodologia de grande escala, que funcione e que seja transparente. Isso o All Our Ideas nos fornece.

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E quais são as características do All Our Ideas?

– Sua metodologia calcula prioridades a partir de opções geradas aleatoriamente. Uma das vantagens é evitar desvios por ação de grupos de interesse, o que seria fácil num sistema de votação simples;

– A metodologia exige que o usuário se posicione e escolha entre pares de opções, indicando que a participação política deve ser afirmativa tanto quanto possível. Fora isso, ele permite que os participantes respondam quantas vezes quiserem, mas que não possam votar sempre na mesma opção (sem antes ter que mostrar a sua percepção sobre várias outras) ou modificar uma escolha já feita (evita, portanto, enviesamentos);

– A repetição de opções com outras combinações ajuda o sistema a elencar prioridades com proporcionalidade e cria um ambiente de aprendizado, já que o participante deverá considerar novas perspectivas para suas escolhas a cada clique;

– A ferramenta permite que o participante pule opções que desconheça, sem que isso influencie nas priorizações, e registre as preferências quando existir. Isso gera um ranking geral, dentre todos os usuários, do que é mais priorizado pelo grupo;

– O usuário tem a chance de sugerir a qualquer momento da fase um tema de sua prioridade para contribuir com o debate. Caso seja aprovado pela equipe da Plataforma, o tema que terá sua preferência calculada proporcionalmente ao tempo que está em votação. Isso faz esta ferramenta mais adequada ao caráter colaborativo e equânime da Plataforma Brasil que o simples preenchimento de um questionário de múltiplas opções.

Em resumo, o All Our Ideas oferece um excelente balanço entre funcionalidades participativas e democráticas, fazendo uso de um levantamento quantitativo que leva em consideração parâmetros qualitativos. Ele se mostra adequado para os objetivos da Plataforma Brasil, já que permite que um grande número de pessoas colabore, com o mesmo poder de priorização, para definir os temas a serem destacados.

Acesse aqui um vídeo que explica a forma de cálculo do All our Ideas.

Para participar, o usuário cadastrado só precisa escolher uma em cada duas opções neste carrossel de temas essenciais para o debate político do país e ajudar a escrever uma parte da história da Reforma Política do Século 21. Fica aqui o nosso convite para o posicionamento participativo e para a construção colaborativa deste ciclo.

Equipe Plataforma Brasil

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Foi PRORROGADO o prazo final para a fase 1 do debate sobre a Reforma Política do Século 21. Até o dia 15 de junho será possível se cadastrar na Plataforma Brasil e priorizar até cinco principais temas que serão discutidos na próxima fase.

Para participar é muito fácil: basta entrar no link www.plataformabrasil.org.br, fazer o seu cadastro indicando algumas informações básicas e começar a escolher as pautas que considera prioritárias. A ferramenta vai apresentar os temas sempre de dois em dois e o seu papel é dizer qual, dentre cada par, você acha que é mais importante e urgente a ser debatido.

Posicione-se e ajude a construir a Reforma Política que queremos.

Equipe Plataforma Brasil

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Há três semanas foi inaugurada a Plataforma Brasil, instrumento digital que abre o cenário nacional para nova experimentação democrática. Trata-se de mecanismo que contribui para ampliar a participação popular na efetivação de dois elementos basilares e cardeais para o estabelecimento de um sistema democrático digno, o estabelecimento da agenda política e sua priorização.

Ainda em estágio de eleição da agenda, a dinâmica do site mantém-se tépida, como esperado. As primeiras intervenções para o ombudsman foram poucas, mas qualificadas. As poucas questões e sugestões foram na direção de melhorar a transparência do processo, como a solicitação para divulgar o algoritmo que ordena a agenda, por exemplo, a sugestão de utilização de método estatístico para o trabalho, além de colaboração para otimizar a navegação. A equipe do site respondeu as questões, em prazo adequado.

Este ombudsman que vos fala ficou fora do ar por alguns dias e demorou para retornar dois e-mails. Lamentável! A questão principal que preciso ressaltar, entretanto, é que a população que aderiu à Plataforma sofre de uma distorção representativa que os estatísticos chamam de viés de seleção. Dado seu caráter experimental e pioneiro, seu suporte de distribuição – a Internet – e recursos limitados para divulgação em massa, a participação é de estratos mais altos de educação da sociedade, e mais, daqueles que têm interesse e engajamento político. Não representam, portanto, de forma alguma, a população brasileira. Não se trata de falha na elaboração do projeto, ao contrário, o resultado se alinha ao resultado esperado de qualquer piloto desta natureza.

O alerta que faço é no sentido de não se utilizar os resultados da Plataforma Brasil para fazer análise qualitativa dos desejos e aspirações da população. Ao contrário, serve para estudar e inspirar a utilização de novos instrumentos que melhorem o processo democrático do país, que passa, como o resto do mundo, por grave crise de representação.

Manuel Thedim
Ombudsman – Plataforma Brasil

Por Kalinca Copello, Carol Monteiro e Ricardo Kadouaki

*Artigo originalmente publicado no Brasil Post

É possível superar a desconfiança e nos engajarmos em processos participativos online? Em um recente evento promovido pelo Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITS), o cientista político Ivan Krastev e o diretor do centro de mídias cívicas do MIT Media Lab, Ethan Zuckerman, debateram com o público meios e rumos via tecnologias digitais para superar a crescente polarização e desconfiança dos cidadãos. Ambos defendem que a desconfiança é um dos grandes vilões do engajamento cidadão em processos participativos e democráticos.

Zuckerman atesta que existem diversas ferramentas digitais para canalizar informação, transparência, comunicação e mobilização. Entretanto, para superar a desconfiança, ele acredita ser necessário pensar uma nova “norma social” através de novos “padrões de mudanças”. Isso inclui criar mecanismos de descentralização, monitoramento – principalmente por parte do cidadão – e canalização de críticas.

Para Krastev, certos níveis de desconfiança têm potencial de engajar ou criar barreiras para o engajamento cidadão. Por exemplo: desconfiança pode gerar raiva, sentimento que pode se espalhar rapidamente via redes digitais, que não costuma ser mobilizador, nem leva à concretização de ações, especialmente as democráticas. Pelo contrário, pode intensificar a polarização e impossibilitar que indivíduos, principalmente em grupos, aprendam, reflitam, ponderem e tenham a chance de mudar de opinião.

Raiva e desconfiança cidadã remetem ao cenário do debate político eleitoral brasileiro de 2014, que ressaltou o potencial e o risco de falar sobre política na internet. A facilidade de obter informação, superar distâncias geográficas e comunicar a qualquer hora não levaram a um debate informado ou até mesmo às escolhas informadas.

Para Krastev e Zuckerman é preciso abrir caminho para a deliberação. Eles acreditam que por meio dela é possível reduzir a desconfiança e apoiar processos participativos e democráticos.

Uma iniciativa que vai ao encontro do que foi debatido no evento é a Plataforma Brasil, lançada pelo ITS no dia 4 de maio. A Plataforma Brasil é um espaço para construção colaborativa de políticas públicas com o propósito de se tornar uma ferramenta online de deliberação, aproveitando o melhor da tecnologia digital para engajar cidadãos em processos participativos com potencial transformador.

A Plataforma Brasil funcionará em ciclos temáticos. O primeiro aborda a Reforma Política do século 21, que não fica só no âmbito da Reforma Política tradicional: inclui também a apropriação da tecnologia para criar canais de participação da sociedade e aperfeiçoar processos.

No Brasil, ainda são latentes a desconfiança e a falta de engajamento para ações que levem a mudanças concretas. Neste contexto, a Plataforma Brasil surge como um caminho na busca pelo aprendizado, pelo debate, pelo respeito ao diverso e divergente, por meio da construção colaborativa que de fato resulte em ações reais e transformadoras.

900 usuarios semana 1

A Plataforma Brasil comemora sua primeira semana no ar nesta segunda-feira com mais de 900 usuários cadastrados. Neste tempo, o espaço para construção colaborativa de políticas públicas também foi notícia em diversos veículos de comunicação, como O Globo, Portal EBC, Brasil Post e no site da Revista Trip.

Outro bom número indica que a Plataforma Brasil está no caminho certo: só nesta primeira semana, a Fase 1 do ciclo ‘Reforma Política do Século 21’ recebeu mais de 130 propostas de temas que devem ser priorizados e debatidos na Fase 2. De acordo com os critérios de elegibilidade da ferramenta, diversos deles já foram aprovados e colocados para votação.

Até o momento em que este post foi finalizado (segunda-feira, 11 de maio), os cinco temas mais priorizados eram:

– Tornar obrigatória a disponibilização na internet de informações relevantes pelos representantes do povo, em todos os níveis da Federação, sobre todas as decisões tomadas pelo representante (exemplo: votos, vetos, etc.)
– Acabar com o voto secreto de deputados e senadores
– Obrigar a revelação imediata pela internet de quem doou para a campanha de cada candidato e o valor
– Ampliar as conferências temáticas de políticas públicas, onde governo e sociedade civil debatem e definem políticas públicas
– Criar um limite para gastos de campanhas eleitorais

Como a priorização temática vai até 4 de junho, temos muito pela frente e este cenário ainda pode mudar. Seguimos na torcida para que a Plataforma Brasil alcance seu objetivo de ser
uma ferramenta de engajamento cidadão em processos participativos e democráticos, em busca da concretização de ações e conquistas de interesse comum.

A Plataforma Brasil

A Plataforma Brasil é uma ferramenta permanente voltada para a construção de políticas públicas de forma aberta e participativa. O site foi criado pelo Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITS) a partir da experiência adquirida com a criação colaborativa e online do Marco Civil da Internet.

O primeiro tema a ser tratado por meio dela é “Reforma Política do Século 21”. O processo de construção do documento final será composto de três fases e a primeira delas, de priorização temática, já está no ar. Que tal participar também? É só ir lá, se cadastrar e votar.

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Está no ar a Plataforma Brasil (www.plataformabrasil.org.br), uma ferramenta permanente voltada para a construção de políticas públicas de forma aberta e participativa. O primeiro tema a ser tratado por meio dela é “Reforma Política do Século 21”. O site foi criado pelo Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITS) a partir da experiência adquirida com a criação colaborativa e online do Marco Civil da Internet.

Qualquer pessoa poderá utilizar a Plataforma, que nasce integrada às redes sociais, para definir e aprofundar a discussão – em detalhes – de como deve ser uma reforma política utilizando toda a capacidade tecnológica disponível atualmente. Além de discutir temas já estabelecidos na agenda da reforma política (como “distritão”, “financiamento de campanha”, etc), a Plataforma discutirá também o novo sistema político: voto pela internet (como já acontece na Estônia), crowdfunding em campanhas eleitorais, projetos de lei de iniciativa popular pela internet e vários outros temas.

O objetivo não é um debate acadêmico ou a mera discussão, mas sim a formulação de propostas para a formulação de políticas públicas.

Hoje há claramente a percepção de que existe um déficit de participação, conjugado a uma expectativa de que a internet possa se tornar um espaço central para o debate político. A urgência da criação de uma ferramenta como a Plataforma surgiu como resposta aos anseios participativos da sociedade e às frustações geradas pelo debate eleitoral de 2014.

Na Plataforma Brasil podem atuar de forma aberta e transparente vários setores da sociedade: academia, setor privado, setor público, organizações da sociedade civil e cidadãos de modo geral. O projeto já começa com a consultoria técnica do IESP (Instituto de Estudos Sociais e Políticos) da UERJ (www.iesp.uerj.br), que preparou e organizou uma série de temas para dar início à discussão.

A Plataforma também estará disponível para consulta e colaboração por meio de um aplicativo para celulares e tablets, que poderá ser baixado gratuitamente por qualquer usuário.

Todos os ciclos da Plataforma contarão também com um Ombudsman, que vai mediar as questões levantadas pelos usuários, seja sobre a ferramenta em si, seja sobre o andamento das discussões. Para este primeiro ciclo, o Ombudsman é Manuel Thedin, diretor executivo do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (www.iets.org.br).

Cada ciclo de debates da Plataforma Brasil é composto de três etapas: Priorização, Discussão e Compilação..

Todas as políticas públicas formuladas coletivamente pela plataforma serão entregues diretamente aos agentes públicos responsáveis pela sua implementação e depois serão acompanhadas pela rede de organizações e pessoas que compõem o projeto.

As três etapas
O processo de construção do documento colaborativo e coletivo da Plataforma Brasil é composto por três etapas:

1ª etapa – Priorização: Os participantes são convidados a priorizar as pautas que consideram mais importantes em relação ao tema do ciclo. A priorização é feita pelo modelo de “pairwise”, que roda um algoritmo criado por pesquisadores da Princeton University (EUA). O sistema apresenta duas opções aleatórias e o participante prioriza aquela que acha mais importante. Podem ser feitas quantas priorizações desejar, quanto mais pessoas participarem, melhor. Ao final do processo, o sistema calcula as opções mais priorizadas. A fase de priorização tem um mês de duração.

2ª etapa – Discussão: uma vez definidas as prioridades, as pautas são transformadas em uma pergunta-problema e são aprofundadas pelos participantes, com total integração com as redes sociais. Nessa fase, a Plataforma conta com a colaboração substancial de diversos segmentos e atores da sociedade para debater e construir, de forma colaborativa, propostas de ação para os temas priorizados.

3ª etapa – Compilação: As discussões são compiladas em documentos relatando as soluções propostas para cada pauta discutida. Esses documentos contêm, em especial, as propostas desenhadas colaborativamente e os principais pontos de atenção mapeados. Os documentos têm o papel orientador para a proposição da política pública em questão (policy briefing) e são então entregues aos atores relevantes ligados à elaboração e execução da política pública relacionada. A partir daí, esses atores serão cobrados ativamente pelos integrantes da rede formada pelo projeto.

Plataforma Brasil na Civviki

A Civviki é uma plataforma wiki de colaboração que documenta experiências de inovações democráticas e de participação. A partir de uma rede de colaboradores individuais e institucionais, a Civviki mapeia e documenta atores, ferramentas e projetos para atuar como centralizador de informações sobre o tema no Brasil e na América Latina. Além de documentar e organizar publicamente casos latinos sobre inovação democrática e participação, a Civviki promove a criação de redes de cooperação multissetorial nas áreas de tecnologia, participação e democracia.

Como a Plataforma Brasil se encaixa neste modelo de inovação democrática e de participação, os termos e conceitos que surgirem por meio dela serão depositados na Civviki. No caso, o tema do primeiro ciclo já está lá – Reforma Política do século 21 – com as primeiras entradas criadas pelo Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP), todos abertos para edição e construção colaborativa, além da sugestão de novas entradas

Sobre o ITS e a equipe criadora da Plataforma Brasil

O Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (http://www.itsrio.org) é uma associação civil sem fins lucrativos dedicada ao desenvolvimento de pesquisas e projetos sobre o impacto social, jurídico, cultural e político das tecnologias de informação e comunicação. O ITS Rio sabe que a tecnologia pode atender ao interesse público, gerar reflexões, avançar no diálogo democrático e na execução de políticas públicas, constatações ao longo dos 7 anos em que sua equipe atuou na construção do Marco Civil da Internet. O Marco Civil é hoje reconhecido mundialmente como um dos casos mais importantes e bem-sucedidos de construção coletiva de uma legislação tão complexa.

O projeto da Plataforma Brasil tem como parceiros estratégicos a Open Society Foundations (OSF) e o Instituto Arapyaú.