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Há três semanas foi inaugurada a Plataforma Brasil, instrumento digital que abre o cenário nacional para nova experimentação democrática. Trata-se de mecanismo que contribui para ampliar a participação popular na efetivação de dois elementos basilares e cardeais para o estabelecimento de um sistema democrático digno, o estabelecimento da agenda política e sua priorização.

Ainda em estágio de eleição da agenda, a dinâmica do site mantém-se tépida, como esperado. As primeiras intervenções para o ombudsman foram poucas, mas qualificadas. As poucas questões e sugestões foram na direção de melhorar a transparência do processo, como a solicitação para divulgar o algoritmo que ordena a agenda, por exemplo, a sugestão de utilização de método estatístico para o trabalho, além de colaboração para otimizar a navegação. A equipe do site respondeu as questões, em prazo adequado.

Este ombudsman que vos fala ficou fora do ar por alguns dias e demorou para retornar dois e-mails. Lamentável! A questão principal que preciso ressaltar, entretanto, é que a população que aderiu à Plataforma sofre de uma distorção representativa que os estatísticos chamam de viés de seleção. Dado seu caráter experimental e pioneiro, seu suporte de distribuição – a Internet – e recursos limitados para divulgação em massa, a participação é de estratos mais altos de educação da sociedade, e mais, daqueles que têm interesse e engajamento político. Não representam, portanto, de forma alguma, a população brasileira. Não se trata de falha na elaboração do projeto, ao contrário, o resultado se alinha ao resultado esperado de qualquer piloto desta natureza.

O alerta que faço é no sentido de não se utilizar os resultados da Plataforma Brasil para fazer análise qualitativa dos desejos e aspirações da população. Ao contrário, serve para estudar e inspirar a utilização de novos instrumentos que melhorem o processo democrático do país, que passa, como o resto do mundo, por grave crise de representação.

Manuel Thedim
Ombudsman – Plataforma Brasil