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O final da primeira fase do primeiro ciclo da Plataforma Brasil, “Reforma Política do Século 21”, se aproxima. É interessante notar que, neste termo, pouco se ativou o ombudsman.

Será sinal de que tudo corre às mil maravilhas ou denota a falta de hábito de participar criticamente de processos? Só se pode especular, claro, mas algo me diz que a segunda hipótese é crível.

Tudo bem, não há porque ter controvérsias na priorização de temas. É a voz livre dos navegantes da rede, onde tudo pode e que a tudo permeia. O que realmente me intriga é não se questionar métodos, escolhas, há pouca curiosidade em entender esses processos.

Bom, vou manter-me otimista e crer que o site está super bem estruturado e não suscita dúvidas. Parabéns equipe!

As poucas intervenções que se apresentaram, todas, aliás, muito bem recebidas pela turma do site, alertam para dois temas de extrema relevância: transparência e equidade. Questões naturais para as pessoas que se mobilizam por assuntos da democracia.

Foram sugeridos métodos estatísticos e requerido que se publique o algoritmo de ordenamento dos temas prioritários. Boas participações, sugestões prontamente aceitas. Já a interpelação mais recente pede a equalização no tratamento de gênero nos textos do site. É discussão que solicita romper com fundamentos da língua portuguesa, não alinhados ao mundo contemporâneo, estabelecidos nos tempos patriarcais de antanho. A ruptura é necessária, mas requer mudança de cultura, o que impõe tempo e tem resultado incerto. O esforço tem de ser e será feito dada sua pertinência e adequação.

O que importa é que os navegantes democráticos estão na franja dos movimentos afinados ao que há de mais atento, generoso e moderno na sociedade brasileira. Um alento para este velho, desalentado, quase cínico, que vos escreve.

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Foi PRORROGADO o prazo final para a fase 1 do debate sobre a Reforma Política do Século 21. Até o dia 15 de junho será possível se cadastrar na Plataforma Brasil e priorizar até cinco principais temas que serão discutidos na próxima fase.

Para participar é muito fácil: basta entrar no link www.plataformabrasil.org.br, fazer o seu cadastro indicando algumas informações básicas e começar a escolher as pautas que considera prioritárias. A ferramenta vai apresentar os temas sempre de dois em dois e o seu papel é dizer qual, dentre cada par, você acha que é mais importante e urgente a ser debatido.

Posicione-se e ajude a construir a Reforma Política que queremos.

Equipe Plataforma Brasil

Por Kalinca Copello, Carol Monteiro e Ricardo Kadouaki

*Artigo originalmente publicado no Brasil Post

É possível superar a desconfiança e nos engajarmos em processos participativos online? Em um recente evento promovido pelo Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro (ITS), o cientista político Ivan Krastev e o diretor do centro de mídias cívicas do MIT Media Lab, Ethan Zuckerman, debateram com o público meios e rumos via tecnologias digitais para superar a crescente polarização e desconfiança dos cidadãos. Ambos defendem que a desconfiança é um dos grandes vilões do engajamento cidadão em processos participativos e democráticos.

Zuckerman atesta que existem diversas ferramentas digitais para canalizar informação, transparência, comunicação e mobilização. Entretanto, para superar a desconfiança, ele acredita ser necessário pensar uma nova “norma social” através de novos “padrões de mudanças”. Isso inclui criar mecanismos de descentralização, monitoramento – principalmente por parte do cidadão – e canalização de críticas.

Para Krastev, certos níveis de desconfiança têm potencial de engajar ou criar barreiras para o engajamento cidadão. Por exemplo: desconfiança pode gerar raiva, sentimento que pode se espalhar rapidamente via redes digitais, que não costuma ser mobilizador, nem leva à concretização de ações, especialmente as democráticas. Pelo contrário, pode intensificar a polarização e impossibilitar que indivíduos, principalmente em grupos, aprendam, reflitam, ponderem e tenham a chance de mudar de opinião.

Raiva e desconfiança cidadã remetem ao cenário do debate político eleitoral brasileiro de 2014, que ressaltou o potencial e o risco de falar sobre política na internet. A facilidade de obter informação, superar distâncias geográficas e comunicar a qualquer hora não levaram a um debate informado ou até mesmo às escolhas informadas.

Para Krastev e Zuckerman é preciso abrir caminho para a deliberação. Eles acreditam que por meio dela é possível reduzir a desconfiança e apoiar processos participativos e democráticos.

Uma iniciativa que vai ao encontro do que foi debatido no evento é a Plataforma Brasil, lançada pelo ITS no dia 4 de maio. A Plataforma Brasil é um espaço para construção colaborativa de políticas públicas com o propósito de se tornar uma ferramenta online de deliberação, aproveitando o melhor da tecnologia digital para engajar cidadãos em processos participativos com potencial transformador.

A Plataforma Brasil funcionará em ciclos temáticos. O primeiro aborda a Reforma Política do século 21, que não fica só no âmbito da Reforma Política tradicional: inclui também a apropriação da tecnologia para criar canais de participação da sociedade e aperfeiçoar processos.

No Brasil, ainda são latentes a desconfiança e a falta de engajamento para ações que levem a mudanças concretas. Neste contexto, a Plataforma Brasil surge como um caminho na busca pelo aprendizado, pelo debate, pelo respeito ao diverso e divergente, por meio da construção colaborativa que de fato resulte em ações reais e transformadoras.