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A Plataforma Brasil continua seu percurso, sem incidentes. A equipe conseguiu desenvolver um sistema que não gera polêmica sobre o processo de discussão e decisão, uma vitória, sem dúvida. No meu texto anterior indaguei se, de fato, isso resulta da estrutura do trabalho ou da falta de hábito de contestação dos usuários. Continuo intrigado, mas prefiro apostar na qualidade da Plataforma.

Bom, finalmente, depois de algumas semanas, surge um questionamento que pode – e deve – gerar alguma polêmica. Um participante, eloquente, perguntou: há um viés de esquerda no site? As perguntas e opções tendem a levar a uma reflexão dirigida à “sinistra”? Há nostalgia no ar, uma memória atávica das discussões que se travavam no aparelhos – ou soviets (palavra usada pela pessoa que levanta a questão)?

Não encontro resquícios de nada disso e saibam que sou liberal convicto, ao estilo inglês. Acredito nos indivíduos e nas minorias, na capacidade das pessoas tomarem suas próprias decisões, que indivíduos e famílias não precisam de tutela, mas de oportunidades. Acredito, também, que cabe ao Estado regular a favor da competição; garantir que não haja miséria social; que tem o dever de prover oportunidades iguais para todos os cidadãos, de reprimir discriminação de qualquer natureza e garantir o bem-estar e futuro da população.

Me pergunto de onde sai a percepção do internauta democrata e ativista. O que identifico com clareza é um viés de pessoas engajadas, que fazem questão de participar do debate. Este perfil, por si só, descreve contorno próprio. De forma alguma representa a população. Aliás, nem precisa, o site não crê que o resultado do experimento representa a vontade do eleitorado, mas busca um caminho de participação, que ecoe não mais do que algumas vozes.

E aí galera? O que vocês acham? Este é um exercício que tem ideologia? Qual?